Lugares Essenciais para visitar no Mês da Consciência Negra – SUDESTE

RIO DE JANEIRO

Quilombo da Rasa

Localizado à beira da praia em Búzios, a cerca de 180 km do Rio de Janeiro, o Quilombo da Rasa dá a oportunidade de conhecer de perto as tradições locais passadas por gerações e uma forma de valorizar a resistência e a preservação da memória quilombola. Cerca de 800 famílias vivem no local, que ainda guarda o clima de comunidade com canoas paradas à beira da praia, de frente para o quintal das casas. Uma associação de moradores realiza atividades de formação e mobilizações para a preservação da memória local, ameaçada pelo amplo processo de expansão imobiliária da região. Em Búzios, existe também um Museu a Céu Aberto, com monumentos em referência a locais de desembarque de africanos escravizados na região.

Vai lá: www.facebook.com/quilombodarasa/.

Quilombo Campinho

Em Paraty (RJ), fica o Quilombo Campinho da Independência. Na comunidade quilombola, é possível se hospedar, comer no restaurante local ou comprar artesantos. O roteiro inclui ainda contação de história com Griôs (responsável por repassar a história oral da comunidade), visita aos núcleos familiares, casa de farinha, viveiro agroflorestal e casa de artesanato. A região imersa na Mata Atlântica é composta por cachoeiras, cultural tradicional e tranquilidade.

Vai lá: quilombocampinhodaindependencia.blogspot.com.br/. Fica entre Ubatuba e Paraty, no quilometro 584.

7. Cais do Valongo e da Imperatriz/Instituto Pesquisa e Memória Pretos Novos

O Cais do Valongo, hoje um museu a céu aberto, foi construído para esvaziamento do comércio de escravos da antiga rua Direita (atual rua Primeiro de Março), onde estava o Paço Imperial, sede do governo português. As obras do projeto Porto Maravilha desencavaram acidentalmente as fundações deste cais. Já o Cais da Imperatriz, foi construído por cima do Cais do Valongo, em 1843, para receber a futura esposa de Dom Pedro II, a Rainha Teresa Cristina. A ideia de construir um cais sobre o outro foi de justamente anular a triste memória, pois o tráfico de escravos já era um comércio condenado. Em 1911, o Cais da Imperatriz foi aterrado, dando lugar à Praça do Comércio. Ainda no centro do Rio, funciona o Instituto Pesquisa e Memória Pretos Novos, duas casas do século 19, nas quais mantém o Museu Memorial e um espaço cultural (Galeria de Arte Pretos Novos), eventos, seminários, oficinas e palestras relativos ao tema. Em 1996, um casal descobriu, embaixo de sua casa um antigo cemitério. Tratava-se de corpos dos “pretos novos”, como eram chamados os escravos que chegavam mortos ao Brasil ou morriam logo depois do desembarque. Calcula-se extraoficialmente que foram 20 a 30 mil pessoas, entre os anos de 1779 e 1830, uma taxa bem mais alta do que os dados oficiais. Fica na rua Pedro Ernesto, 32 e 34 – Gamboa.

Vai lá: www.pretosnovos.com.br/.

Centro Cultural José Bonifácio, no Rio de Janeiro Crédito: Alexandre Macieira/Riotur/Divulgação

Centro Cultural José Bonifácio/ Centro de Referência da Cultura Afro-Brasileira

Outro prédio ligado a história negra é o Centro Cultural José Bonifácio. Ele foi autor do primeiro texto abolicionista do Brasil (1823). O prédio onde funciona o centro cultural tem estilo renascentista e foi encomendado por D. Pedro II para receber uma das primeiras escolas públicas do Rio (inaugurada em 1877). Por lá, funciona o Centro de Referência da Cultura Afro-Brasileira, com exposições, espetáculos e cursos, dispondo de biblioteca especializada (somente para consulta) e mais de 750 títulos. Fica na rua Pedro Ernesto, 80 – Gamboa.

Vai lá: mapadecultura.rj.gov.br/manchete/centro-cultural-jose-bonifacio

Roda de Samba da Pedra do Sal

O lugar é cenário de uma das mais tradicionais rodas de samba da cidade. No século 17, quando as águas do mar alcançavam a base da pedra, o sal comprado pela colônia de Portugal era descarregado nesse local pelos escravos. Degraus foram esculpidos para facilitar a subida na pedra lisa. No século 18, foi construído, bem próximo, o Armazém do Sal. Posteriormente, as chamadas Casas de Zumbu acolhiam os negros alforriados que vinham de outras regiões do país e também se reuniam para compartilhar, jogar capoeira, tocar e dançar jongo. No século 20, a Pedra do Sal seria o principal ponto de encontro de grandes músicos e compositores, como Donga, João da Baiana, Pixinguinha e Heitor dos Prazeres. Foi tombada, em 1984, e ainda hoje abriga a Comunidade Remanescente de Quilombos da Pedra do Sal (composta por gerações descendentes de escravos africanos). Fica no Largo da Baiana (Ao fim da rua Argemiro Bulcão, esquina com Sacadura Cabral) – Bairro da Saúde (aos pés do Morro da Conceição). O samba é de graça e atualmente ocorre sextas a partir das 18h

Vai lá: www.facebook.com/rodadesambapedradosal


SÃO PAULO

Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte

A Igreja Nossa Senhora da Boa Morte foi construída em 1728 pela Irmandade dos Homens Pardos de Nossa Senhora da Boa Morte. Nela, pela primeira vez, negros e brancos sentaram-se lado a lado em uma igreja de São Paulo. Esse nome se deve ao hábito de escravos condenados à morte no Largo da Forca (hoje conhecido como Largo da Liberdade) de entrarem na igreja para pedir uma boa morte à Nossa Senhora. Rua Tabatinguera, 301, Liberdade, São Paulo.

Igreja Boa Morte
Igreja Boa Morte Crédito: Divulgação

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos foi erguida em 1906 no Largo do Paissandu e, até hoje, os trabalhos são conduzidos pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, que há mais de 300 anos luta pela preservação e resgate da cultura negra e seus direitos e construiu igrejas em diferentes cidades brasileiras. Em 1995, foi instalada ao lado da igreja a estátua da Mãe Preta, uma referência às Amas de Leite. A cada dois meses é realizada uma missa afro na qual são feitas oferendas com milho, batata doce, feijão, pipoca etc., e os cânticos entoados ao som dos atabaques. Largo do Paissandu, s/n (no início da avenida São João).

Museu Afro Brasil

Inaugurado em 2004, o museu tem como intuito promover o reconhecimento, a valorização e a preservação do patrimônio cultural africano e afro-brasileiro, além da presença na cultura e na sociedade brasileira. As exposições são ancoradas em três eixos: arte, história e memória. O acervo aborda temas como religião, trabalho, arte, diáspora africana e a escravidão, registrando também a trajetória histórica e as influências africanas na construção da sociedade brasileira. Rua Pedro Álvares Cabral, s/n (portão 10) – Parque Ibirapuera. De 3ª a domingo, das 10h às 17h. Ingresso: R$ 6. Gratuito aos sábados.

www.museuafrobrasil.org.br

Museu Afro Brasil
Museu Afro Brasil Crédito: Henrique Luz / Divulgação


Minas Gerais

Centro Cultural Casa África

Com sede em Belo Horizonte, o Centro Cultural Casa África (CCCA) foi idealizado pelo Cônsul Honorário do Senegal Ibrahima Gaye. A Casa África, como ficou conhecida, é um centro de referência da cultura africana. Funciona como espaço de comunhão dos povos e de descobrimento mútuo das culturas. Por lá, é possível ver a decoração com máscaras africanas trazidas do Senegal e objetos que lembram o continente. Fica na rua 28 de Setembro, 476 – Esplanada. No local também funciona o Baobar, restaurante que disponibiliza sabores, cores e sons da África.

Vai lá: pt-br.facebook.com/casaafricabr?sk=info  

Casa dos Contos de Ouro Preto

Um pouco da história dos escravos e do dinheiro produzido pelo garimpo no século 18 foi preservado na Casa dos Contos de Ouro Preto. Construída por uma espécie de banqueiro da época, virou sede da administração e contabilidade pública e foi restaurada nos anos 80. A senzala, que hoje tem um piso pé-de-moleque original, em sua maior extensão, estava recoberta por cerca de 40 centímetros de terra batida, e ao pesquisá-la, apareceram vários cadinhos jogados. Fica num casarão construído entre 1782 a 1787 na rua São José, 12, Centro, Ouro Preto.

Vai lá: www.ouropreto.com.br/atrativos/culturais-2/culturais/museu-casa-dos-contos

Casa dos Contos de Ouro Preto
Casa dos Contos de Ouro Preto Crédito: Divulgação

Fonte: Revista Trip

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